CUIDADO COM AS “LAGARTAS” DE SUA VIDA!

 Mariano B. Marques

Ao ler a  história a seguir,  você pode até achar que estou exagerando. Mas não estou. Acredite, esta não é uma daquelas do tipo “história de pescador”. É real. E aprendi mais com ela do que poderia imaginar. Quem sabe você vai também aprender alguma coisa!…

Contudo, aviso aos navegantes: se você detesta lagartas, talvez seja bom parar por aqui. Porém, se a sua curiosidade é maior do que seu desgosto por lagartas…

Tudo começou hoje pela manhã, 28 de abril, quando fui olhar como estavam as plantas do nosso quintal, pois não cuidava delas havia duas semanas. Parei diante de um dos vasos grandes de plantas. Observei, admirado. Fiquei surpreso. Muito surpreso. Não só surpreso e admirado, mas também chocado. Não só chocado, mas perplexo. Não só perplexo, mas também enojado.

Vi uma cena repulsiva. Você também não iria gostar de ver. Se você é mulher, com certeza iria dar um grito e se arrepiar toda e sair gritando pelo marido ou pela mãe. Sabe o que você veria? O mesmo que eu vi: bolos e bolos de lagartas, adultas e pequenas,  umas inertes, outras se mexendo, grudadas nos caules e nas folhas largas e suculentas da nossa viçosa e bela moita de “bola do mundo”. Sua folhagem é encantadora, sua flor belíssima, seus tubérculos também muito bonitos.

Há apenas duas semanas, estava linda a nossa planta, cobrindo todo o vaso espaçoso  horizontal com sua vasta folhagem verde e delicada. Na última vez que a observei, havia algumas lagartas em algumas de suas folhas. Mas, como eram poucas, não dei importância. E o que vejo agora? Grande parte das belas e largas folhas e caules antes robustos viraram trapos vegetais pela ação destruidora de centenas e centenas de lagartas vorazes. Estão comendo até os tubérculos debaixo da terra! E…puxa…como essas lagartas se reproduzem rápido! Há filhotes por todos os lados. E  parece já nascerem comendo, sem trégua.

De tão gordas e cheias, a maior parte delas nem se mexe. Parecem dormir, aos bolos, grudadas nos  caules da planta e nas folhas. Até sobre a terra do vaso tem lagartas caminhando, outras enroladas em forma de rodilha, outras quietas como se estivessem mortas. Mas estão todas vivas. Nunca vi antes uma concentração tão grande de lagartas.  Pensei: “Essa praga vai transformar em fiapos sem vida todas as  nossas plantas em apenas alguns dias”.

Diante dessa cena chocante, entendi que precisava atacá-las com bateria pesada numa ação rápida e fulminante.

Então, o que fiz? Fiz um reconhecimento cuidadoso de como estavam organizadas para destruírem a nossa bela planta, e pensei numa estratégia de combate. Só encontrei uma: cortar as folhas e caules carregados de lagartas, fazer um monte e atear fogo. Achei a estratégia eficiente e,  a julgar pela aparente fragilidade das minha inimigas ao calor do fogo,  pensei que venceria a batalha em apenas alguns minutos. Puro engano.

Ao acender o fogo, descobri haver subestimado o poder de resistência das adversárias. Fiquei surpreso ao vê-las fugir por entre as chamas e romper por entre as cinzas quentes procurando escapar. Espalharam-se em diversas direções afastando-se do fogo tão rápido quanto podiam.  Com uma vassoura, eu as varria de volta para dentro da fogueira, e elas repetiam a façanha de escapar de novo.

Então fiquei de plantão  varrendo os insetos de volta para a fogueira e colocando mais combustível. O fogo apagou. Revirei as cinzas esperando ver apenas cadáveres assados. Mas descobri, surpreso, que ainda muitas lagartas grandes e pequenas  caminhavam em meio às cinzas quentes procurando sair. Fui obrigado a acender de novo a fogueira, colocar mais combustível e varrer, repetidas vezes, várias delas de volta para a fogueira. E a batalha continuou por cerca de duas horas! Eu sei o que você está pensando: que estou exagerando. Mas não estou.

Quando finalmente a refrega terminou, eu estava suado e deveras admirado do poder de resistência das bravas combatentes. Elas me haviam ensinado uma lição preciosa sobre estratégia de guerra: o real poder de resistência do adversário só se descobre em combate com ele, portanto, jamais o subestime por sua aparente fragilidade. Realmente, tem razão o famoso estrategista Sun Tzu no seu livro A Arte da Guerra: quem menospreza o adversário, por fraco lhe parecer,  pode cair vítima da surpresa. Mas o aprendizado não ficou só nisso. Fiz do fato uma aplicação à nossa vida espiritual.

Há pecados no nosso íntimo cujo poder de destruição  subestimamos por nos parecerem pequenos e de pouca importância.  E os deixamos lá, escondidos em algum lugar secreto, e pensamos estar tudo bem. Tempo depois, vamos descobrir, surpresos, que esses “pecadinhos” se agigantaram e contaminaram nossa vida interior de maneira devastadora. Um exemplo disso é a amargura contra pessoas que nos magoaram. Um outro são as pequenas mentiras, as “mentiras brancas”.

Aqui abro espaço para uma reflexão: Não é mais sábio lidar com nossos pecados, sob a graça de Deus, quando ainda estão tenros? No entanto, se cometemos o erro de deixá-los crescer e se consolidar, podem ter ação destruidora e persistente na nossa vida. Se é este o caso, também devemos ser determinados e perseverantes no trazê-los constantemente à ação purificadora do Espírito Santo. Devemos também ser perseverantes no buscar encher  o nosso interior da Palavra do Senhor e da presença Dele. É preciso confessar esses nossos “pecadinhos” ao Senhor e pedir que nos purifique deles por sua bondade e graça. Assim fazendo, poderemos, no devido tempo,  dar testemunho da ação de Deus na nossa vida, dizendo: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5.20).

Talvez você não acredite, mas fiquei o dia todo matando lagartas. A cada intervalo de cerca de uma hora eu voltava ao vaso de plantas,  e lá estavam mais lagartas, saídas da terra.  E antes de me afastar do vaso fazia uma busca cuidadosa até não ver nenhuma. Mas a cada vez que voltava, mais lagartas se mexendo ou grudadas nalguma folha ou caule. A habilidade de se esconderem e se camuflarem é incrível! E esses bichinhos de aparência frágil são capazes de se multiplicar de maneira descontrolada e destruir uma lavoura inteira. Impressionante o poder desses insetos. Como enganam!..

Ah, sim, já estamos na tarde do dia seguinte. Continuo indo ao vaso de plantas, e sabe o que encontro? Acertou: mais lagartas. Realmente persistentes, hein! E não só lagartas. Muitos caramujos também sugando a seiva da nossa planta, que está visivelmente debilitada.

Agora, já se passaram duas semanas. E sabe o que aconteceu com a nossa belíssima planta? Isso mesmo: morreu. O caule pujante e as folhas largas verdes e lindas viraram trapos.

Bem, que lições podemos tirar dessa história real para a nossa vida espiritual? Que tal algo do tipo “Quem subestima o poder do pecado, mesmo quando inofensivo lhe parece, pode ser por ele destruído”. Afinal de contas, a Bíblia diz que  o pecado tem o poder de matar. “O salário do pecado é a morte” (Romanos 3.23).

Mas o que quero mesmo dizer é o seguinte: Vamos ter cuidado com as “lagartas” na nossa vida interior. Elas são mais poderosas e destrutivas do que conseguimos imaginar. Portanto, não vamos dar espaço para elas, mesmo que sejam pequeninas.  Combinado?

Deus abençoe você.

Crédito da imagem: br.freepik.com

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CUIDADO COM AS “LAGARTAS” DE SUA VIDA! de Mariano Barroso Marques é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Publicado em  www.marianobmarques.wordpress.com.

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6 respostas em “CUIDADO COM AS “LAGARTAS” DE SUA VIDA!

  1. Coitadas das lagartas, incendiou as bichinhas, hahahahahahaha.
    Meu mano Mariano, realmente o pecado é destruidor da alma. Devemos sempre dar importância às “pequenas” coisas, e extirpá-las antes que se tornem “gigantes” e provoquem literalmente a morte.

  2. Na realidade Pr., muitas vezes as pessoas acabam se acostumando a pecar, aproveitando-se da benevolência do perdão Divino, e, esquecem-se de que ao premeditarem o pecado, significa que não houve arrependimento e por consequência não existe perdão.
    E o pecado, principalmente o da mentira, acaba impregnando a vida das pessoas de tal forma que muitas vezes elas acabam sentindo a necessidade de mentir e, falam com a propriedade de uma verdade. Ou seja, acabam se tornando habituais pecadores sem arrependimento, ou num paradoxo, se tornam grandes ninhos de lagartas.

  3. “……..A lagarta como símbolo do pecado é uma representação fíel. E existe uma lagarta chamada mágoa,que tem o poder de resistência que só é vencido,pela presença do ESPÍRITO SANTO EM NOSSO SER,pois quando o Espírito Santo habita em nosso ser ,não há espaço pra mágoas …..”

    • Pura verdade, Gersonita. A vida cheia do Espírito Santo nos leva a viver numa dimensão espiritual abundante na graça de Deus.E como vc disse, nesse tipo de vida não há lugar para armazenar nem cultivar a mágoa.O Espírito Santo nos lava dela e nos enche do seu amor pelo ofensor. Claro, este é um dos grandes milagres da graça de Deus.

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