Um Grito na Noite

Mariano  B.Marques

É alta noite. Um véu de silêncio parece cobrir toda a cidade. Apenas as luzes da rua parecem estar acordadas.

Durmo profundamente no meu quarto, num dos apartamentos do segundo andar. Acordo de repente, assustado. Estive sonhando? Não! É verdade!…Aguço os ouvidos e ouço gritos na redondeza. Alguém está em apuros.

–        Socorro!…socoooooorro!…Socoooooorr…

O grito é estridente. Contém desespero. Algumas janelas se abrem no andar superior. E o grito vai se afastando até sumir por completo. É voz de mulher, não há dúvida. Quem será? O que será? Um animal selvagem atacando uma vítima humana indefesa?

Fera?!…mas…na cidade grande?…Não é possível!  É possível sim. Deve ser uma fera do asfalto devorando sua presa da mesma espécie. É o homem na sua esfaimada autodestruição desde o homicida Caim até nossos dias.

Será a necessidade de sobrevivência que leva o ser humano a se tornar tão brutal? Creio decididamente que não. Desculpa nunca foi causa – por que o seria agora? Creio que a rebelião contra Deus e contra os seus princípios é o que transforma o humano em depredador cruel e frio. Todas as alegações são apenas causas aparentes, superficiais. Exceto, é claro, a debilidade mental.

Ouço mais um pouco, atentamente. O silêncio, agora  incômodo, volta sobre a noite. Ajeito o travesseiro debaixo da cabeça. Fico inquieto. Fora, na rua, o barulho de um raro carro solitário. Foge-me o sono. Medito: em que mundo vivemos! Não dá pra dormir. De um salto, ponho-me de joelhos ao lado da cama e oro:

Ó Senhor Deus, ainda bem que deste o teu Filho, Jesus Cristo, para morrer na cruz pelos pecadores. Sim, para tornares possível o milagre do perdão dos pecados e do novo nascimento. Por causa disso,  do deserto fazes brotar mananciais de água. Da árvore estéril nascerem frutos lindos e deliciosos. E transformas feras humanas sanguinárias em cordeirinhos. Graças te dou por Cristo Jesus, teu amado Filho e meu eterno Salvador. Amém.

Agora vou conseguir dormir. Boaaaa noiiiiiiiite.