PINHAS NO ARMÁRIO

Mariano B. Marques

  Minha esposa estava fazendo compras na frutaria quando se deparou com uma enorme pinha¹ na prateleira, bem madurinha. A maior que ela já viu em toda a sua vida – e olhe que ela já rodou muito chão! Admirada, pegou nela com cuidado, para não amassar, e a comprou para a mãe dela. Veio para casa toda orgulhosa com o seu troféu na sacola de compras.

A minha sogra adooora pinhas. Imagine a festa que ela fez ao receber um presente tão especial só para ela. Mas ao invés de colocar a linda pinha na fruteira,  guardou-a  no armário, com muito carinho, para saboreá-la depois, sozinha, numa hora bem sossegada, e assim se deliciar com  cada pedacinho.

Duas semanas depois, minha sogra procura alguma coisa no armário…e o que está lá? A pinha! Isso mesmo, ela esqueceu de comê-la. E sabe o pior? Estava podrezinha da silva. Que chato: tão bela, tão deliciosa, mas para nada serviu. Resultado? Lixo!

Você vê, a gente tem muitas “pinhas” preciosas na vida. Maravilhosas, deliciosas, fantásticas! E não são compradas na frutaria. São dádivas divinas para serem compartilhadas. E têm nomes:  amor, carinho, cuidado, afeto, perdão, gentileza, atenção e vários outros. Só que fazemos como a minha sogra: guardamos essas preciosidades no nosso armário emocional só para nós. Resultado? Passa o tempo, e para nada servem.

Por que não liberamos essas nossas deliciosas “pinhas” e as compartilhamos com as pessoas? Por que preferimos guardá-las anos e anos ao invés de com elas abençoar nosso cônjuge, filhos, parentes, amigos e até mesmo nossos inimigos? Depois, quando alguma dessas pessoas que nos cercam se vai para sempre,  fica em nós aquele  vazio emocional. Tínhamos toda uma riqueza para compartilhar com ela, mas deixamos escapar todas as oportunidades. E já  que a perdemos, pensamos em como teria sido tão bom se tivéssemos nos enriquecido mutuamente, nos “curtido” mais! E de vez em quando aflora, do fundo da consciência, a voz silenciosa: “Ah, se eu tivesse uma outra chance….” Mas agora é tarde, Inês é morta, como diz o velho provérbio popular nordestino.

Reflitamos um pouco: há quanto tempo não abraçamos o nosso cônjuge, pais e filhos? Há quanto tempo não os beijamos e  lhe falamos ao coração? Há quanto tempo não dizemos às pessoas que amamos o quanto elas são importantes para nós? Não, não basta elas saberem. Elas precisam ouvir isso de nós de vez em quando. Isso aumenta e fortalece a auto-estima delas. Por outro lado, há quanto tempo não recebemos essas manifestações de afeto dessas pessoas?

É verdade que sempre esperamos receber manifestações de afeto primeiro para então retribuir. Mas esse é o caminho mais longo e menos fértil. Tudo pode mudar para melhor nos nossos relacionamentos quanto colocamos de lado o nosso orgulho camuflado e tomamos a iniciativa de abençoar as pessoas com o que temos de melhor no nosso interior. E fazer isso não nos custa nenhum sacrifício. E quanto mais  abençoamos essas pessoas, mais abençoados somos por elas. É claro, precisamos de humildade para fazer isso. Mas vale a pena, e muito! Experimente!…

Tem muita gente precisando das nossas “pinhas”. Que tal tirá-las  do armário hoje mesmo e as compartilharmos com elas? Que tal  praticar isso com o pessoal de casa? Aliás, esse é o lugar mais adequado para começar. Vai ser muito bom para as pessoas que amamos e para nós, pode crer. E a timidez?…Ah, isso não é nome de pinha!

_______________

¹ Também conhecida como ata,  fruta do conde, etc.

Crédito da imagem: poucomingaudeaveia.blogspot.com

Licença Creative Commons
PINHAS NO ARMÁRIO de Mariano Barroso Marques é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Publicado em  www.marianobmarques.wordpress.com.

22 respostas em “PINHAS NO ARMÁRIO

  1. Parabéns Ir. Mariano, está sendo um grande estímulo para nós os seus escritos e a maneira como os temas sáo abordados nos faz colocar em prática até mesmo sem perceber. Excelente aplicaçáo da pinha. Siga em frente neste ministério, já lhe vejo como um grande escritor.

  2. REALMENTE: Q PINHA MARAVILHOSA VOU COMEÇAR A COME- LA COMEÇANDO PELA APARTE DO AMOR, QUE DEUS DE ABENÇOE MUITÍSSIMO.

  3. Amo seus textos. São de uma sabedoria incomensurável!
    Janete

  4. Que pinha maravilhosa esta que você tirou do armário meu querido amigo! Sabedoria guardada, para nada serve.

  5. Mariano, meu brother.
    Tenho orgulho de vc.pela tua inteligência,capacidade,percepção e pela tua sensibilidade no sentido de passar tuas experiências positivas de vida.
    Grande abraço,
    João barroso

    • Puxa, mano! Ouvir (aliás, ler) isso de vc é maravilhoso!! Obrigado pelo encorajamento! Vc também é uma pessoa muito especial e com muitos talentos. Se usá-los no reino de Deus como certeza vai abençoar muita gente.

  6. Como timidez não é nome de pinha, quero dizer que seus artigos têm sido leituras muito prazeirosas para mim. É muito gratificante ler artigos tão significativos e edificantes, verdadeiras “pérolas” em meio a assuntos tão desgradáveis e fúteis que nos bombardeiam diariamente. Continue compartilhando suas “pinhas” conosco!

    Deus abençoe vc e toda sua família.

    • Seu comentário me sensibilizou, Raquel! Pelo que entendi, vc superou sua timidez para fazer esse comentário tão lindo. Pa-ra-béns!.. É isso aí. E vc me abençoou, acredite. Ore por mim e minha família, por favor.

  7. Amei a ilustração, pinha realmente é uma fruta muito saborosa, ela pode enganar muito agente pois quando pensamos que ela vai demorar madurar , no outro dia já esta mole e madura, posso até associar tbm a vinda de Cristo, muitos pensam que vai demorar , mas isso pode ocorrer mais rápido do que pensamos…Felicidades!!!

  8. E espero mariano que esta data na qual comemoramos o nascimento de Cristo possamos refletir sobre esta leitura, e tirar nossas PINHAS do armario e declarar as pessoas que amamos o quanto elas sao importante. valeu mariano foi uma leitura muito gostosa.

  9. Muito edificante, Mariano! Que Deus continue te inspirando para oferecer-nos essas mensagens maravilhosas. Abraços.

Os comentários estão desativados.