CARVOEIROS-MIRINS

Mariano B. Marques

Brasil, meu torrão, meu irmão!…

Que vejo em ti?

Corpos pequenos, suados, morenos,

pintados de negro, o negro da guerra,

a guerra da fome, da vida, da morte,

a guerra da sobrevivência.

Pés descalços, sofridos, grosseiros

se movem ligeiro em troca do pão;

cabeça em pretume, coberta de pó,

o pó que dá vida, que adia a morte.

Mãos  calejadas, pequenas, guerreiras,

aguentam o labor sem muito vigor,

ganham sangrando o bocado que comem,

o magro bocado que nunca sacia.

Pais impotentes, abatidos, escravos,

árvores secas, sem sombra, sem fruto.

No sol escaldante, ao forno, na roça

crianças sem ver o sol do amanhã.

Rostos rugosos, velhice precoce,

sem pão, sem teto, brinquedo, escola;

corpos franzinos, e bocas famintas

comem o bocado do próprio suor.

Olhos pequenos navegam errantes

buscando a infância nos céus do Brasil,

infância perdida, que volta jamais,

adultos à força em tenra idade.

Mesmo assim, no fundo da alma,

a viva esperança de novo amanhã;

vidas secas, secas vidas

crêem no milagre de vida melhor.

Fonte da imagem: nailsondeoliveiramoura.blogspot.com

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CARVOEIROS-MIRINS de Mariano Barroso Marques é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Publicado em  www.marianobmarques.wordpress.com.

5 respostas em “CARVOEIROS-MIRINS

  1. ESSE É UM TRABALHO PARA MISSÕES!!!! PARA QUEM NÃO PODE IR… CONTRIBUIR AJUDA MUITO!!! PARABÉNS PELO TEXTO. ÓTIMO!!!

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