ESCASSEZ E ESPERANÇA

Superlua no céu da cidade de Bonito (MS) (Foto: Gisele Pimenta / Estadão Conteúdo)

Mariano B. Marques

Prateada, reluzente, linda, majestosa!…

O luminar celeste enche a nossa noite da sua gloriosa claridade. Pode-se ver o chão, a areia, quase como à luz do dia.

O céu lindamente adornado de milhares de estrelas pequeninas, brilhantes, distantes, parece piscar alegremente os olhos em alegre celebração da vida, do universo, do Criador. É algum dia de algum mês do ano de 1960 numa pequena aldeia no meio da mata, no sul do Maranhão.

Na gostosa algazarra no terreiro da nossa casa de palha, no coração da mata, nossos olhos de meninos cheios de fantasia viajam, velozes como a luz, milhares de quilômetros no espaço sideral imenso, sem fim. Incontáveis imagens de seres Continuar lendo

QUAL O NOSSO FRUTO?

Mariano B. Marques

“…toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo”

(Mateus, 3.10).

Logo que você atravessava o canavial, lá estavam as velhas e altas mangueiras servindo de guarda-sol para o pequeno riacho que regava  suas raízes o ano todo.

 Lá em cima, na ponta dos galhos das copas frondosas, os periquitos, com sua plumagem verde e gritos estridentes, faziam a festa  se deliciando com as polpas macias cortadas por seus biquinhos agudos. Chegavam e saíam em bandos esvoaçantes para o delicioso cardápio. Mas muitas mangas caiam durante a noite, e eram sempre uma pequena e doce alegria para quem as achava.

E quando eu estava debaixo de uma mangueira carregada de frutos, a única coisa que eu esperava ver era manga – porque é isso o que mangueiras dão. Mas, o que me impressionou na última vez que visitei os Morrinhos, quarenta anos depois, Continuar lendo

A CIDADE DE ARIZEN

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Mariano B. Marques

No grande vale cercado pelas montanhas gêmeas Ávila e Évila, ergueu-se  a pequena cidade de Arizen com apenas algumas centenas de habitantes liderados pelo patriarca Ádamus.

A vida era calma e quase todos os problemas eram resolvidos.

Morreu Ádamus, e a cidade ficou sem líder.  Não tendo a quem seguir, as pessoas passaram a  sentir-se inseguras e desorientadas, e muitos problemas  começaram a agitar a cidade.

Pelas leis locais, assumiria a liderança da cidade a pessoa a quem Ádamus escolhesse antes de morrer. Mas sua morte inesperada o impediu de fazer isso.

No decorrer do tempo, a antes pacata Arizen se tornou caótica e violenta.

Certo dia, alguém sugeriu um ajuntamento público na praça principal para discutir sobre a necessidade de uma nova liderança. Todas as pessoas compareceram, da mais nova à mais velha, no clarear do dia.

Muitas horas se passaram numa discussão aberta Continuar lendo

E O AMANHÃ?

Mariano B. Marques

 Ó Deus, meu Senhor, Tu que sabes o que é a vida e conheces todas as coisas… por que ocultaste do homem os dias do seu futuro? Por que colocaste entre o hoje e o amanhã a tua cortina de bronze?

Eu sei, Senhor! Tu me fizeste entender!  A Tua sabedoria fez isso.

Que seria do homem se visse, hoje, o infortúnio do amanhã? Porventura não se desesperaria  a sua alma e se encheria  de angústia e pavor?

Tu sabes do amanhã do homem e Continuar lendo

SEM PÚLPITO

Mariano B.Marques

Ninguém foi como ele no púlpito.

Ninguém jamais pregou sermões como os dele, nem transformou  tantas vidas como ele.

Ele mudou e continua mudando a vida de milhões de pessoas. Mas nunca lhe deixaram subir num púlpito para pregar e ensinar a sua mensagem.

Isso mesmo, ele não tinha púlpito. Por isso pregava os seus sermões  quase sempre  ao ar livre.  E atraía multidões.

O seu mais longo sermão registrado foi pregado sobre um monte. Daí ser  mundialmente conhecido como o Sermão do Monte, que vem transformando milhões de terrenos pecadores em cidadãos celestiais desde o dia em que foi proferido.

Nunca um homem falou como ele, e nunca um homem falou o que ele falou. As multidões vinham para ouvi-lo  de todos os recantos do seu país e dos países vizinhos.

Por onde ele passava, Continuar lendo

O LENHADOR E O MEL

Mariano B. Marques

Um lenhador encontrou na floresta uma árvore famosa por seus espinhos venenosos e frutos muito amargos.

A pessoa que  comia dos frutos dessa árvore geralmente tinha ânsia de vômito.

Então o lenhador viu uma coisa curiosa no grosso caule daquela árvore: uma abelheira de mel nobre! Ficou olhando por um bom tempo e pensando  com seus botões:

– Como pode uma árvore de espinhos venenosos e frutos amargos ter uma abelheira de mel tão nobre?

Mesmo assim, resolveu tirar o mel, a pedido do seu filho pequeno, que o acompanhava. Mas quando pegou o primeiro pedaço do favo, seu primeiro impulso foi rejeitar o mel por causa da má impressão que tinha da árvore. E falou em voz alta:

–         Este mel, com certeza não presta. Não se tira bom mel de árvore ruim.

Então, o filho, na sua sabedoria infantil, Continuar lendo

ÁGUA EM VINHO

 Mariano B. Marques

Jesus estava na Galileia, numa cidade de nome Caná.  Três dias depois, houve um casamento.

A mãe de Jesus estava lá. Ele e os seus discípulos também foram convidados.

Tudo ia muito bem na festa, até que o vinho acabou. Acontecer isso antes de a festa terminar era uma situação constrangedora para o noivo e sua família.

 E o vinho acabou! E agora?…

A mãe de Jesus, preocupada, vai falar com ele e lhe diz:

 –         Eles não têm mais vinho!…

Mas Jesus pediu que ela ficasse tranquila, pois ele só iria entrar em ação na hora certa. E Maria sabia que Jesus iria fazer alguma coisa para resolver a situação. Então, ela falou com os garçons, e disse:

          – Olha, pessoal! Continuar lendo

O VINHATEIRO

Mariano B. Marques

Um vinhateiro comprou uma vinha para cuidar. Havia anos que aquela vinha dava pouco fruto. Mas ele percebia que ela tinha um grande potencial. E acreditou nela.

Na semana em que a recebeu, ele e sua família fizeram uma festa para comemorar. E convidaram os amigos. Logo depois, visitou a plantação. Queria conhecer cada videira.

O homem estava empolgado com sua vinha. Mas enquanto examinava com os olhos e as mãos cada videira, pensava:

– Por que essas videiras Continuar lendo

BRIGA NA CACIMBA

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Mariano B. Marques

 Eu, oito anos de idade.

Minha família e eu  morávamos num pequeno lugarejo incrustado no meio da mata, no  Sul do Maranhão, Nordeste do Brasil.

Carros? Só quando um caminhão esporádico passava na estrada de areia cortando o povoado. Aí todo mundo corria para ver o ilustre visitante sobre rodas. A garotada se divertia correndo atrás e engolindo poeira. E eu gostava do cheiro da gasolina.

Avião? Sim, no céu azul distante, tão alto que mais  parecia um pássaro prateado. Mas, curioso!… eu pensava que um dia viajaria Continuar lendo